Orientações sobre o disjuntor maxilar

Má-oclusão

Algumas más oclusões caracterizam-se por um estreitamento esquelético da maxila. Esta atresia pode provocar uma mordida cruzada posterior (dentes superiores “por dentro” dos inferiores), alterações de crescimento, resultando em assimetrias faciais, alterações funcionais (postura de língua, fonação deglutição, mastigação e respiração), problemas de falta de espaço para o correto posicionamento dos dentes, etc.

Tratamento

O uso de aparelhos móveis promove uma expansão dento-alveolar lenta, ou seja, apenas inclinações dentárias instáveis. A atresia maxilar é um problema de base óssea e como tal, a melhor maneira de resolvê-la é através de uma disjunção maxilar esquelética, promovendo a abertura da sutura palatina mediana, separando a maxila em duas partes. Após esta fase existe neoformação óssea no local, caracterizando um efeito mais estável. É uma situação clínica que deve ser abordada precocemente, uma vez que, quanto mais idade o paciente possuir, maior será a calcificação da sutura intermaxilar, sendo necessário uma cirurgia de grande porte para separá-la em pacientes adultos.

 

O aparelho e sua ativação

O aparelho mais indicado para este procedimento é o Disjuntor Maxilar Hyrax. Um dispositivo apoiado em dentes (anel), com um parafuso na região mediana.

A mecânica chama-se de expansão rápida da maxila. A ativação é realizada através de uma chave (com um fio dental amarrado e mantido do lado de fora da boca, evitando risco de deglutição), encaixada ao parafuso expansor e girada em sentido posterior, com freqüência (normalmente 01 volta pela manhã e 01 volta à noite) e duração (normalmente 15 dias), a ser definida pelo ortodontista e obedecido rigorosamente pelo paciente. O sinal clínico da abertura da sutura é a presença de um espaço entre os incisivos centrais. Apesar de provocar certa ansiedade, ele é indicativo de sucesso no tratamento e tem duração temporária (fecha por volta de 01 mês). Após a estabilização do aparelho, este permanece na boca do cliente por aproximadamente 06 meses, com finalidade de maturação completa do osso neoformado, seguido do uso de mais 06 meses de uma placa removível.

Higienização

Apesar de um certo grau de dificuldade, deve ser realizada com afinco, após as refeições e principalmente antes de dormir. Inicialmente, faz-se uso da escova dentária convencional, higienizando os dentes e o aparelho. A etapa seguinte seria o uso de jatos de água nas regiões laterais e mediana, lançando-se mão de uma seringa descartável (sem agulha). Bochechos vigorosos com algum anti-séptico bucal diluído é o próximo passo. À noite o processo é complementado com o uso do fio dental, para eliminar os sempre presentes detritos alimentares entre o aparelho e a mucosa. Este fio dental será, com a ajuda de um passa fio e uma pinça (esterilizada por 15 minutos em água quente), inserido na porção lateral do aparelho e tracionado para o centro. Recomenda-se o fio dental Super Floss da Oral-B, por conter a ponta rígida e uma parte esponjosa, limpando com mais eficiência.

Intercorrências

Por se tratar de uma mecânica rápida, o cliente não deve se ausentar por muito tempo do consultório (o controle deve ser, no mínimo semanal), seguir rigorosamente as recomendações de ativação e higienização e manter seu ortodontista sempre informado de qualquer alteração.

Em poucas situações podem ocorrer insucessos, por resistência de abertura da sutura intermaxilar, provavelmente devido à idade óssea avançada. Nestes casos pode aparecer alguma lesão na região do palato, devendo o aparelho ser removido imediatamente, tratando-se o problema, que se normaliza em aproximadamente 01 semana.

A higienização deficiente levar a inflamações e hipertrofia da mucosa do palato, comprometendo todo o processo.

Na etapa de remoção do aparelho, uma leve inflamação (mucosa avermelhada e um pouco marcada) é normal e rapidamente reversível.